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DEMOCRATAS DE PACOTILHA

À medida que ganha dimensão a guerrilha da maioria que suporta o governo contra o Tribunal Constitucional, melhor nos apercebemos do grau não apenas de incompetência, mas de insensatez e de arrogância cínica destes novos políticos que ocupam lugares de destaque, não por serviços prestados, não pela sua estatura intelectual, não por se terem distinguido pela qualidade do seu trabalho dentro ou fora do partido, mas pela mediocridade que fazem questão de exibir, porque nela assentam as estratégias de tomada de poder. Quanto ao custo de tal servidão não o conhecemos, mas pelo que a experiência histórica nos revela poderemos ter uma ideia. É doloroso suportar a ideia de que essas pessoas não parem um pouco para reflectir, estando cada vez mais convicto de que o não fazem ou por não saberem, ou por acharem perda de tempo ou, ainda, porque o acto de pensar os incomoda. Ou então será um pouco de tudo isso. Quando vemos uma pessoa como Teresa Leal Coelho vice-presidente de um partido como o PS...

QUANDO O ESTADO SE COMPORTA COMO MELIANTE

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N ão entendo nada de leis e ainda menos da complexa rede que as interliga. Pese embora a minha ignorância, ensinou-me a experiência que os compromissos assumidos, mesmo se plasmados em contrato, assentam sobretudo na confiança entre as partes e em valores comuns que defendam. Daí decorre que os contratos são para cumprir, pois assim manda a honra de cada um e a honra de ambas as partes. Eu ainda faço parte daqueles que, durante a sua infância e juventude, ouviram e viram pessoas fazer negócios e assumir em compromissos sob «Palavra de Honra». A palavra de alguém era sagrada e quem a ela faltasse estaria condenado ao isolamento, pois eram pessoas sem palavra e, por isso mesmo, pouco confiáveis, não merecedoras de crédito. Quando, por qualquer razão ou motivo provados, se tornasse necessário alterar o compromisso assumido, isso era sempre feito com a colaboração e bom senso de ambas as partes. As sociedades tornaram-se mais complexas e daí resultou a necessidade de plasmar em cont...

BECO SEM SAÍDA

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N ão deixa de ser dramático que a cegueira e o autismo dos governantes nos tenha conduzido a um beco sem saída. Aí chegados, «Ai aqui D'El Rei» que alguém nos quer tramar. Sobre o chumbo do tribunal Constitucional a algumas medidas do Orçamento de Estado importa tecer, mais uma vez, algumas considerações. 1. Os chumbos do Tribunal Constitucional, em geral, não causaram qualquer surpresa, salvo um ou outro pormenor de algumas das medidas. Verdade seja dita, e apesar de toda a encenação premeditada, nem o governo terá ficado surpreendido. E, se por acaso, tenha sido surpreendido, então a conclusão é a de que o seu grau de incompetência é bem mais elevado do que aparenta. Mas não penso que seja essa a situação. Pelo contrário, parece-me que toda essa encenação faz parte de uma estratégia arquitectada de forma a encontrar um bode expiatório para o fracasso das suas políticas. Tanto mais que o argumento «Sócrates» há muito que se esgotou. 2. O Tribunal já havia feito diversos ...

EUROPA A CAMINHO DO ABISMO....

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ERRO ESTRATÉGICO PODE AFASTAR PS DA FINAL Gostaria de sublinhar algumas lições a retirar das eleições europeias e do actual momento vivido no seio do Partido Socialista. Tratando-se de evidências para a maioria das pessoas, a tendência é desvalorizar já que há quem pense que as evidências são minudências sem qualquer importância. 1. O PS foi o vencedor das eleições, não adianta diminuir a vitória ou tentar transformá-la em derrota. 2. A coligação governamental sofreu uma pesada derrota, o que significa que os eleitores estão longe de acompanhar o governo na sua política de austeridade; 3. Apesar da vitória, o PS não conseguiu ser visto e sentido como alternativa 4. O Secretário-geral do PS não merece a confiança dos eleitores e estes não o vêem como candidato a primeiro ministro capaz de protagonizar uma alternativa séria e capaz. Estas são evidências sobre as quais caberia ao PS sobre elas reflectir. Ao contrário, a noite eleitoral mostrou, infelizmente, como os act...

POBREZA| REINO DA IMORALIDADE

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  Aos que que seguem este blog, as minhas desculpas por este longo tempo de ausência. Agradeço a compreensão e a paciência, esperando que continuem atentos ao que nele irei escrevendo. Muito obrigado.   1. POBREZA E INDICADORES Os indicadores são medidas que tentam objetivar, tanto quanto possível, a realidade permitindo-nos uma outra percepção e compreensão dessa mesma realidade que vá para além do senso comum ou do mero palpite. É verdade que os pressupostos que fundamentam esses indicadores ou os critérios que os definem são discutíveis, até porque eles são também reveladores de opções ideológicas das próprias sociedades. Também a sua interpretação e a leitura que eles permitem da realidade podem ser, e são-no muitas vezes, diferenciadas consoante o campo ideológico ou o ângulo de visão em que nos situamos. Vem isto a propósito da última crónica de Miguel Sousa Tavares no jornal Expresso e a sua interpretação sobre os dados da pobreza, nomeadamente o fosso entre os 10% m...

MAS QUE DEMOCRATAS PARIU A DEMOCRACIA?!

Verdade seja dita, o país está salvo, pois à boa maneira portuguesa – à boa maneira latina – está encontrado, e não é de agora, o verdadeiro culpado da crise. Não existem responsáveis, mas apenas um culpado: José Sócrates. Aliás, é típico do comportamento latino, herdeiro de uma determinada interpretação da tradição judaico-cristã e do direito romano, confundir culpa e responsabilização. É sempre mais fácil, porque a culpa é sempre de terceiros (mesmo os não identificados), enquanto a responsabilização radica, em primeiro lugar, no próprio, ou seja, em nós. A responsabilização assusta, porque é bem mais fácil condenar do que se questionar e tentar perceber os acontecimentos. Além disso, a consciência (que não temos) fica bem menos pesada quando encontrado o culpado. Vieram todos felizes na mesma casa, foram mesmo vendendo a mobília e até os vários cantinhos da casa a troco de quimeras sebastiânicas e quando quase nada restava… quem fechou a porta… 1. PETIÇÃO CONTRA SÓCRATES NA RTP “...

OS LÍDERES QUE NOS GOVERNAM

1. ELEIÇÕES EUROPEIAS Seria bom que as eleições europeias, que terão lugar no próximo mês de maio, se centrassem realmente no que é importante, ou seja, em questões europeias e não nas pequenas questiúnculas da política interna, por mais importantes que sejam e são-no certamente. Contudo, importa não esquecer que a Europa é hoje fortemente atuante nas políticas nacionais e que, por esse motivo, é um assunto que a todos diz respeito. Sabendo nós que os partidos têm ideias diferentes sobre a Europa e sobre determinadas questões em particular, seria para todos benéfico que expusessem muito claramente as suas ideias e propostas. Conscientes de que a nossa capacidade de influência na Europa é restrita e limitada, a verdade é que essas limitações não nos devem condicionar ao ponto de adoptarmos uma atitude de perfeita servidão, como tem acontecido com este governo, face aos poderes instituídos. Pessoalmente, não pretendo falsos líderes que, por não o serem, criaram as condições ideais para ...