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TRANSPORTES DA DEPRESSÃO

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T empos de vacas magras não serão certamente propícios ao dispêndio de tempo a imaginar o futuro, uma vez que o presente é de tal forma avassalador que não deixa o mínimo de espaço aos devaneios de um qualquer sonhador ou construtor de utopias. Contudo, algo que só o futuro nos ensinará é que o presente marca definitivamente o tempo que há-de vir. Se de tal evidência o humano tivesse consciência, não deixaria, mesmo em tempos de míngua, de cuidar zelosamente do seu futuro. Ou do futuro daqueles que lhe hão-de suceder, já que essa é também uma sua responsabilidade. Infelizmente são raros os visionários com tamanha ousadia.

SER SUSTENTÁVEL É TER FUTURO

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Este texto faz parte da publicação editada pela Quercus - Associação Nacional de Conservação da Natureza, em Março de 2011, na comemoração dos seus 25 anos de existência. A publicação - «25 ANOS QUERCUS - 25 PERSPECTIVAS PARA O FUTURO», inclui escritos de pessoas conhecidas e reconhecidas da nossa sociedade, sendo porventura o presente texto um dos mais modestos. A escrita, por vezes telegráfica, deve-se ao guião apresentado pelo editor e aos limites amavelmente aconselhados. Um grande bem-haja à Susana Fonseca, Vice-Presidente da Direcção Nacional da Quercus, por ter confiado a este modesto colaborador tão precioso espaço. 

(DES)UNIÃO QUE NOS (DES)GOVERNA

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J ean-Claude Trichet, dias antes de abandonar o comando do Banco Central Europeu (BCE), declarava numa breve entrevista ao jornal «Le Monde» (31/10/2011): " Os decisores políticos devem fazer um esforço de antecipação dos acontecimentos, mesmo se o tempo de decisão nas nossas democracias não é necessariamente o mesmo dos mercados". Não será difícil, mesmo para o mais incauto e distraído dos cidadãos, estar de acordo com tal declaração. O problema está precisamente na capacidade de antecipação dos decisores, já que essa é uma qualidade que, embora possa ser mais ou menos inata, depende de determinados factores.

DESCONFIANÇA - Implosão do Futuro

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B astas vezes me interroguei sobre as razões que levam as pessoas a eleger candidatos cujo historial é de corrupção ou, no mínimo, muito pouco transparente. Entre as muitas razões, umas de raiz mais especulativa que outras, cheguei à conclusão que uma das principais, quiçá síntese de todas as outras, será a DESCONFIANÇA. Apesar do paradoxo, penso que é precisamente aí que se situa o cerne da questão ou, melhor dizendo, da decisão. A desconfiança em relação a toda a classe política conduz a que, numa decisão de grande racionalidade, se vote naquela pessoa, desde que tenha o mínimo de obra feita e apesar do aparente descrédito, que represente menor risco face ao desconhecido da mudança.

PRODUÇÃO: GANHAR TOSTÃO OU MILHÃO

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São muitos os que na praça pública sobre a crise discorrem não se inibindo de apresentar as mais diversas soluções, embora muitas delas pecando pela falta de inovação ou fazendo homenagem à preguiça mental. Imagino que sejam muitas as interrogações que tanto discurso nos coloca, sobretudo quando procuramos entender a mensagem para além das doutas palavras. Dizem-nos que é necessário aumentar a produtividade. Nada contra, pois aí estaremos todos de acordo. Em nome desse aumento de produtividade obrigam-nos a trabalhar mais umas horitas ! E há quem esfregue as mãos de contente e pisque o olho a tão sábia decisão. Que diabo, o País precisa! O País merece! É verdade, embora a mim me pareça que haja muitos que não mereçam o país ou sobretudo a  gente deste nosso palmo e meio de terra e de muito mar. Calma aí porque agora a dança é outra.

DESCONFIANÇA DO ESTADO SOCIAL

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E ste país parece gostar de correr riscos de cujas implicações futuras não tem qualquer ponta de consciência. O governo (ou governos) em vez de minimizar os riscos, como seria seu dever e responsabilidade, tende em alguns casos a ampliá-los ou, no mínimo, a enfatizá-los. É sabido que o Estado Social (ou aquilo que dele nos tocou), tal como o conhecemos, passa por grandes dificuldades, tal como também acontece com as sociedades em que se insere.

ECONOMIA SOCIAL E SOLIDÁRIA

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No passado 21 de Setembro foi aprovada na Assembleia da República, na generalidade, o Projecto de Lei de Bases da Economia Social. O presente documento foi viabilizado com o voto favorável do PSD e CDS-PP, tendo o contado com a abstenção do PS - à excepção do voto negativo de quatro deputados - e o voto contra dos restantes grupos parlamentares. O Projecto baixou à Comissão de Economia e Obras Públicas onde será discutido na especialidade.