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MENTIRAS QUE NOS CONTAM

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Travestidas de verdade ou com roupagem douta e solene, muitas são as mentiras que nos contam e que nós, devido à insistência dos pinóquios ou desistência nossa, acabamos por aceitar como verdades ou com elas convivemos sem nos questionarmos o suficiente. Se não quisermos dar-nos ao trabalho de procurarmos nos pergaminhos da História, é-nos bastamente suficiente o exemplo da crise actual e do momento que as gentes deste país dolorosamente vivem. Deixo-vos aqui algumas dessas mentiras que de tanto serem ditas e reditas acabam por nos soar como verdades absolutas. 1. A sociedade faz parte do mercado e não o contrário e este tem a capacidade, por si só, de ser o motor organizativo daquela. Ou seja, a procura do interesse privado é suficiente para produzir o bem comum sem ser necessária a deliberação e a decisão políticas. 2. O Mercado está antes de tudo relegando para segundo plano a economia, pelo que a redistribuição só tem razão de existir em caso de insucesso do mercado. M...

DANEM-SE...

DANEM-SE OS PARRICIDAS DA PÁTRIA MAL AMADA VENDIDA ÀS FATIAS. DANEM-SE OS FRATRICIDAS DO POVO ABANDONADO À GULA DOS VERMES DO MERCADO DANEM-SE OS BORGES DANEM-SE OS MOEDAS, DANEM-SE OS GASPARES DANEM-SE OS PASSOS DANEM-SE TODOS  SERVOS INVERTICAIS DE MALFEITORES QUE TOMAM DE ASSALTO O QUE NUNCA FOI SEU DANEM-SE OS COBARDES QUE SE ESCONDEM ATRÁS DE MEMORANDOS DANEM-SE OS INCAPAZES DE QUALQUER OUSADIA DANEM-SE OS USURÁRIOS DO NOSSO FUTURO DANEM-SE TODOS OS LAMBE-BOTAS RASTEJANDO AOS PÉS DOS TERRORISTAS FINANCEIROS DANEM-SE OS MORALISTAS QUE ENRIQUECEM À CUSTA DA MISÉRIA DOS ULTRAJADOS DANEM-SE OS QUE PRETENDEM CALAR A REVOLTA DANEM-SE OS QUE IGNORAM A INDIGNAÇÃO ESTA É A HORA  DE GRITAR DEFINITIVAMENTE:  CHEGA. DANEM-SE.

OS BONS ALUNOS, A TROIKA E AS NOSSAS VIDAS!

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1. Bons alunos H á muito que tenho a convicção de que os bons alunos nem sempre são bons profissionais e, ainda menos, bons cidadãos. Importa sublinhar que faço uma destrinça entre o que é um bom aluno e o que é um bom estudante. Admito que haverá sempre excepções, mas o bom aluno é aquele a quem apenas interessa o objectivo, ou seja, a nota final. Significa que os fins justificam os meios. O que o define é a falta de carácter, falta de solidariedade, subserviência, falho em reflexão, acrítico e limitado nos horizontes, porque não se pode desviar do objectivo. Ao contrário, o que define o bom estudante é a sua capacidade crítica, a capacidade de procurar novas soluções, interpelar os outros, questionar-se, procurar aprofundar o seu saber e não apenas aprender em função da nota, desafiar o professor para patamares que não sejam apenas o debitar da matéria. O bom aluno sente-se como peixe na água e dá-lhe gozo explorar as teorias, brincar com modelos, mas assuta-o a re...

ESTA MALTA AINDA NOS MATA

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1. Em Portugal existe a terrível mania de tudo contestarmos e nos julgarmos acima de qualquer decisão ou emitirmos juízos de valor sobre funções que outros desempenham como que pretendendo possuir uma autoridade que não temos. Isto apenas demonstra o quanto somos lestos a defender interesses próprios e pouco atreitos a defender o bem colectivo. Somos um país de quintinhas, de quintais, de parcelas... com pouca consciência do que realmente nos une. Aliás, temos o condão de desvalorizar o que eventualmente poderia, mesmo se simbólico, motivo de união. Mas quando se trata de maldizer aí estamos nós prontos para a festa. Povos há que valorizam o que de bom possuem ou fizeram, tentando melhorar o que de menos bom ou mau também têm. Nós temos o comportamento contrário, valorizamos - dizendo de mal - o que de menos bom ou mau temos e desvalorizamos ao ponto de ignorarmos o que de bom ou muito bom também possuímos. Parece que apenas encontramos a felicidade maldizendo. Em vez de acatarmo...

RESPEITEM GENTE QUE É GENTE

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1. Confesso que não entendo uma certa desculpabilização do ministro Relvas no caso da licenciatura quando comparado com o caso Sócrates. No presente caso, segundo a opinião de alguns doutos, a principal responsabilidade é da universidade em causa, enquanto no caso Sócrates ele, segundo as mesmas cabeças bem pensantes, era o único responsável, ou seja, o único culpado. Que dizer dos sectores próximos do actual poder que gastaram a voz a vociferar no caso Sócrates e que agora, rabinho entre as pernas, se remetem ao silêncio, não dos inocentes, mas de virgens ofendidas. Enquanto um é um «não caso», o outro um caso de vergonha nacional. Ambos os casos são condenáveis, como já o escrevi, não tanto pelo resultado, mas sobretudo pela forma como foi atingido. Tudo parece muito legal, como se este fosse o único critério de um governante ou de pessoas que ocupam cargos de relevância, sejam eles públicos ou privados. É precisamente por falta de critérios éticos e falta de moralidade que temos...