QUANDO O ESTADO SE COMPORTA COMO MELIANTE
N ão entendo nada de leis e ainda menos da complexa rede que as interliga. Pese embora a minha ignorância, ensinou-me a experiência que os compromissos assumidos, mesmo se plasmados em contrato, assentam sobretudo na confiança entre as partes e em valores comuns que defendam. Daí decorre que os contratos são para cumprir, pois assim manda a honra de cada um e a honra de ambas as partes. Eu ainda faço parte daqueles que, durante a sua infância e juventude, ouviram e viram pessoas fazer negócios e assumir em compromissos sob «Palavra de Honra». A palavra de alguém era sagrada e quem a ela faltasse estaria condenado ao isolamento, pois eram pessoas sem palavra e, por isso mesmo, pouco confiáveis, não merecedoras de crédito. Quando, por qualquer razão ou motivo provados, se tornasse necessário alterar o compromisso assumido, isso era sempre feito com a colaboração e bom senso de ambas as partes. As sociedades tornaram-se mais complexas e daí resultou a necessidade de plasmar em cont...